jueves, 14 de mayo de 2009

Valsinha - Cantiga de Amigoo

Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz
*
É interessante que o poeta era um homem, um trovador, dando voz a uma personagem-mulher, aos interesses femininos. Quem escreveu lindas canções com um eu lírico feminino, como Valsinha, foi Chico Buarque, demonstrando sensibilidade, delicadeza, capacidade de se colocar na pele do outro e formação lírica calcada na mais tradicional poesia portuguesa.

jueves, 7 de mayo de 2009

ATIVIDADE 1º ANO

01 - Relacionar as letras de música abaixo com as escolas literárias indicadas:

O trovadorismo faz parte das escolas literárias. Onde é subdividido em manifestações poéticas, que normalmente são denominadas de ‘Lírica trovadoresca”. Onde essa lírica trata de poemas produzidos para serem cantados e, essas cantigas são divididas em: cantiga de amor, cantiga de amigo, cantiga de escárnio e maldizer.


@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ TrovadorismoO

DutraComposição: (Jair Amorin / Evaldo Gouveia)


Sonhei que eu era um dia um trovador

Dos velhos tempos que não voltam mais

Cantava assim a toda hora

As mais lindas modinhas


De meu rio de outrora

Sinhá mocinha de olhar fugaz

Se encantava com meus versos de rapaz


Qual seresteiro ou menestrel do amor

A suspirar sob os balcões em flor

Na noite antiga do meu Rio

Pelas ruas do Rio

Eu passava a cantar novas trovas


Em provas de amor ao luar

E via então de um lampião de gás

Na janela a flor mais bela em tristes ais



Logo de inicio a idéia que o texto passa é seria uma música comum, porém ao me colocar no lugar do eu-lirico, pude compreender que tem toda uma essência por traz desta obra. As rimas e até alguns recursos que os compositores utilizaram para dar um efeito sonoro me faz gostar ainda mais. Essa música é classificada como uma cantiga de amor, porque transmite algumas qualidades da mulher amada pelo eu-lirico.


@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ Trovadorismo

QueixaCaetano

VelosoComposição: N.Siqueira / E. Neves

Um amor assim delicado

Você pega e despreza

Não devia ter despertado

Ajoelha e não reza


Dessa coisa que mete medo

Pela sua grandeza

Não sou o único culpado

Disso eu tenho a certeza


Princesa, surpresa, você me arrasou

Serpente, nem sente que me envenenou

Senhora, e agora, me diga onde eu vou

Senhora, serpente, princesa


Um amor assim violento

Quando torna-se mágoa

É o avesso de um sentimento

Oceano sem água


Ondas, desejos de vingança

Nessa desnatureza

Batem forte sem esperança

Contra a tua dureza


Princesa, surpresa, você me arrasou

Serpente, nem sente que me envenenou

Senhora, e agora, me diga onde eu vou

Senhora, serpente, princesa



Um amor assim delicado

Nenhum homem daria

Talvez tenha sido pecado

Apostar na alegria



Você pensa que eu tenho tudo

E vazio me deixa

Mas Deus não quer que eu fique mudo

E eu te grito esta queixa


Princesa, surpresa, você me arrasou

Serpente, nem sente que me envenenou

Senhora, e agora, me diga onde eu vou

Amiga, me diga...

Essa musica também é uma cantiga de amor, e o mais interessante é que no refrão o autor relaciona sua amada primeiro, a uma princesa e depois a uma serpente, sendo assim já se tem uma noção que o eu-lirico sofre com o desprezo de sua “mulher”. E outro fator que destaca a cantiga é a repetição de palavras, que produz um efeito sonoro evidente.


@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ Trovadorismo

Sozinho
CaetanoVeloso
Composição: Peninha



Às vezes, no silêncio da noite

Eu fico imaginando nós dois

Eu fico ali sonhando acordado, juntando

O antes, o agora e o depois

Por que você me deixa tão solto?

Por que você não cola em mim?

Tô me sentindo muito sozinho!


Não sou nem quero ser o seu dono

É que um carinho às vezes cai bem

Eu tenho meus desejos e planos secretos

Só abro pra você mais ninguém

Por que você me esquece e some?

E se eu me interessar por alguém?

E se ela, de repente, me ganha?


Quando a gente gosta

É claro que a gente cuida

Fala que me ama

Só que é da boca pra fora

Ou você me engana

Ou não está madura

Onde está você agora?


Quando a gente gosta

É claro que a gente cuida

Fala que me ama

Só que é da boca pra fora

Ou você me engana

Ou não está madura

Onde está você agora?

Esse poema já é bem conhecido; e também faz parte do grupo dos cantares de amigo e um dos motivos que justificam esse fator é que mais uma vez o eu-lirico sofre por um amor não correspondido, com marcas evidentes da literatura oral (reiterações, paralelismo, refrão, estribilho

@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ Trovadorismo

Incelença pro amor retirante(Elomar)

Vem amiga visitar

A terra, o lugar

Que você abandonou

Inda ouço murmurar

Nunca vou te deixar

Por Deus nosso Senhor

Pena cumpanheira agora

Que você foi embora

A vida fulorô

Ouço em toda noite escura

Como eu a sua procura

Um grilo a cantar

Lá no fundo do terreiro

Um grilo violeiro

Inhambado a procurar

Mas já pela madrugada

Ouço o canto da amada

Do grilo cantador

Geme os rebanhos na aurora

Mugindo cadê a senhora

Que nunca mais voltou

Ao senhô peço clemência

Num canto de incelença

Pro amor que retirou.

Faz um ano in janeiro

Que aqui pousou um tropeiro

O cujo prometeu

De na derradeira lua

Trazer notícia sua

Se vive ou se morreu

Derna aquela madrugada

Tenho os olhos na istrada

E a tropa não voltou



Como de prache, em cantigas de amigo predominam algumas características que são possiveis destacá-las.São elas: Há uma rima fato que proporciona efeito de musicalidade, o ambiente em que se passa essa situação é rural, poca subjetividade tambem se faz presente.

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02 - Selecione uma obra de arte que se relacione com o Classicismo e uma que se relacione com o Barroco. Apresente em que aspectos elas se aproximam e se distanciam.


http://media.photobucket.com/image/classicismo/jacintogomes/The_Picnic.jpg
Os termo classicismo também podem ser empregado a partir de uma mistura de definições de valores, como se arte greco-romana estabelecesse um padrão para toda a arte produzida posteriormente , e periodização histórica.Outra definição pode ser o classicismo como conjunto de caracteres estéticos, definindo o estilo cultural, artístico e literário de um período, por oposição ao barroco, ao romântico.


http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/sala_de_aula/historia/imagens/id_moderna_barroco_13.jpg


Já o Barroco tenta conciliar duas concepções de mundo opostas: a medieval e a renascentista. Assim, valores como o humanismo, o gosto pelas coisas terrenas, as satisfações mundanas e carnais, trazidos pelo Renascimento, que era caracterizado pelo racionalismo, equilíbrio, clareza e linearidade dos contornos, fundem-se a valores espirituais trazidos pela Contra-Reforma, com idéias medievais, teocêntricas e subjetiva. Nasce então uma forma de viver conflituosa, expressa na arte barroca.

lunes, 4 de mayo de 2009

Análise do texto de Luís Fernando Veríssimo - O gigolô das palavras

Por Julyane Andrade


Luís Fernando, em sua obra “O gigolô das Palavras” nos traz a idéia do porque de sua profissão. Veríssimo intitula-se como o cafetão, mas um cafetão das palavras de nossa língua, aquele que alicia, que manda, que induz.

Quando ele inicia seu texto contando uma breve história pessoal Fernando discorre de maneira crítica e expõe seu ponto de vista, afirmando que a gramática é muito importante, mas não podemos e tão pouco, devemos nos prender a ela. O que fazer é colocar nosso ponto de vista sobre determinados assuntos e nos expressar de modo que outros entendam.

De certa forma Luís nos impulsiona usufruir abundantemente a gramática, mas deixa claro que o importante é se comunicar, brincar, se expressar e não nos tornarmos mais uma pessoa a passar pela Academia Brasileira de Letras e tirar uma foto de recordação, receber um diploma e mais a frente esperar que o português morra.

Um trecho do texto onde tudo o que ele diz e possivelmente é diz assim: “Sou um gigolô das palavras. Vivo à custa delas. E tenho com elas uma exemplar conduta de um cáften Profissional.” Geralmente essa atitude de vida não pertence a muitas pessoas, elas têm pouca intimidade com a gramática, porém é dela que tiram o sustento, a manuseiam como querem e precisam; que mais se vê nesse meio são artistas, compositores, escritores e poetas.
Mais informações:

jueves, 30 de abril de 2009

O gigolô das palavras




por Luís Fernando Veríssimo



Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa ("Culpa da revisão! Culpa da revisão !"). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.


Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática.) A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí é de interesse restrito a necrólogos e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa. Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo Português ainda estar vivo.




Eles só estão esperando, fardados, que o Português morra para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a Gramática é a estrutura da língua mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em Gramática pura.



Claro que eu não disse isso tudo para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas - isso eu disse - vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional.




Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas. Se bem que não tenho o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro, quando acho que vou ganhar com isto. As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.



Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa ! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção dos lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda.

Carta de Repúdio - Á coleta seletiva e ao aterro sanitário

Para:
José Carlos
Prof. Alexandre

Cópias a:
alexandre.pro@gmail.com
adelaandrade7@hotmail.com
july_andrade7@hotmail.com

Prezado senhor José Carlos,
Secretário de Infra-estrutura e Obras do Estado da Bahia, Brasil.


Venho por meio de esta declarar meu completo e absoluto repúdio à coleta e ao deposito de lixo. Sabemos que existem normas para as coletas e para os aterros sanitários e em Eunápolis as regras básicas não estão em vigor.
Há um padrão ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) de como recolher, como e onde depositar o lixo hospitalar, doméstico, e industrial. E nesta cidade não está acontecendo esta coleta como deveria, ou seja, há total descuido com o lixo, desde o processo de recolhimento até o deposito final.
Segundo as normas da ABNT a função de um aterro sanitário é ser um local onde são depositados os lixos sólidos urbanos, sem causar danos à saúde pública e à segurança; e um meio de minimizar os impactos ambientais.
Hoje há a confirmação de que famílias estão morando e sobrevivendo no lixão local. O lixo recolhido das casas é depositado ali no lixão sem o menor pudor. Pássaros também têm como local de alimentação o lixão, e isto representam um risco à população eunápolitana, pois, podem transportar bactérias e vírus para zona urbana e a zona ali próxima também.
A saúde da população é outro fator de suma importância, além de todos os riscos existe uma substância que o acumulo de lixo produz que é o chorume. Este é um liquido que deve ser tratado para não contaminar os lençóis freáticos
Como conseqüência da coleta seletiva aparece a reciclagem que contribui para o meio ambiente, gera riquezas e contribui com a geração de empregos. O lixo orgânico também pode ser reciclado, ele é utilizado na fabricação de adubos para serem utilizados na agricultura. A separação do lixo é de extrema importância para a sociedade. Além de gerar renda para milhões de pessoas e economia para as empresas, também significa uma grande vantagem para o meio ambiente uma vez que diminui a poluição de rios e solos.
Diante da implantação da coleta seletiva, vemos que os resultados são inúmeros. Entre eles estão os políticos e os econômicos. O político: além de contribuir positivamente para a imagem do governo e da cidade, a coleta seletiva exige um exercício de cidadania, no qual os cidadãos assumem um papel ativo em relação à administração da cidade.
E economicamente é um investimento no meio ambiente e na qualidade de vida. Não cabe, portanto, uma avaliação baseada unicamente na equação financeira dos gastos da prefeitura com o lixo, que despreze os futuros ganhos ambientais, sociais e econômicos da coletividade. A curto prazo, a reciclagem permite a aplicação dos recursos obtidos com a venda dos materiais em benefícios sociais e melhorias de infra-estrutura na comunidade que participa do programa. Também pode gerar empregos e integrar na economia formal trabalhadores antes marginalizados.
Segundo uma matéria de um site de noticias local (nossacara.com), do ano de 2007, o secretário da infra-estrutura Omar Reiner, afirma que já existe um projeto pronto para a implantação de um aterro sanitário aqui em Eunápolis. O começo das obras deveria ser em janeiro de 2007 e a previsão de execução é de 18 meses. E onde estão essas obras? O prazo de previsão já terminou. E a satisfação à sociedade como fica?
Hoje precisamos urgente que as autoridades locais despertem, pois todos esses problemas são atuais, e famílias, crianças e jovens, estão deixando toda uma vida para trás, para sobreviver literalmente do resto de muitos. O que é preciso fazer é uma associação de coleta seletiva, um aterro sanitário. E a mais urgente de todas: tirar as famílias que vivem no lixão. Se os órgãos competentes souberem influenciar a população a utilizar os recursos da natureza, possivelmente poderemos ter muito em breve um planeta mais limpo e mais desenvolvido.


Enquanto moradora da cidade de Eunápolis, e aluna do IF-BA peço que, alguma providencia seja tomada para que o futuro de nossa cidade possa ser promissor e também peço em prol das famílias que moram no lixão da cidade, lá existem, crianças que precisam da atenção e dos cuidados urgentes de vocês.

Julyane Andrade
Instituto Federal de Educação e tecnologia da Bahia
Eunápolis, Bahia

viernes, 3 de abril de 2009

Carta ao povo Brasileiro !!!



Uma carta?
Uma carta especial?
Que fale de um povo, um estado ou uma nação?
Que fale em justiça, amizade ou perdão
?Ou na dor que brota no coração?
Em ver a omissão em doação?
Carta ao povo Brasileiro.
Poluição, mensalão, corrupção,
Ignorância, insegurança.
Afetando crianças,as fazendo infelizes.
Ignoram as raízes,Do berço nascido, criado,jamais respeitado.
O povo rejeitadoIludido, excluído,encolhida, escondida.
A vergonha e o respeito,o direito e o suspeito.
Da bagunça e da desordem
Por isto peço..
“Brasileiros... Acordem”

(Flávia Rocha)

jueves, 12 de marzo de 2009

Escritaa

Na folha lisa e escorreita,
O lápis afiado e porfiador
Elabora percursos mansos
Em sinuosas ruas que se espraiam.
Escrever é desagrilhoar
O pó da memória em vão acumulado
E gritar,
E dizer alto,
Que revolta nos acomoda o peito,
Que afago nos acaricia a alma.
Escrever é arrojar o Futuro.
Ao alcance de um artigo,
De um pronome,
De um verbo.
Verbo é “criar”,
O início de tudo,
A sedição,
A ociosidade das palavras.
Tresfolgo a escrita
De um trago.
Acre, por vezes,
Libertador, sempre.
O ar está abarrotado de palavras.
As mais infalíveis estão, contudo,
Em bolsos de pequenas crianças,
De mãos rosadas e roliças,
Que as retiram em movimentos loquazes
E as levam à boca como rebuçados
Inspiradores da candura da infância.
Tu, Criança,
És quem melhor descreve o mundo,
Porque és a vagem verde viçosa
De uma aurora que não distingue nuvens.
(Poema de Filipe Lamas in Tretas & Letras)